ERC abre procedimento de averiguações a caso de Ana Abrunhosa e Lusa
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu abrir um procedimento de averiguações sobre o caso que envolve a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, depois desta ter retirado a confiança e feito acusações a um jornalista da Lusa.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da ERC disse que o Conselho Regulador da ERC, "na sua reunião de 16 de abril", analisou o tema, "tendo deliberado a abertura" de um procedimento administrativo de averiguações.
Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado.
O jornalista garantia ter questionado o executivo municipal, mas não obteve resposta.Na segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Jornalistas sublinhou que os jornalistas são escrutinados todos os dias e desafiou
Ana Abrunhosa a dizer qual foi a "violação grave à ética".Ana Abrunhosa terá dito que tinha “falta de confiança” doravante no jornalista da Lusa “que não reporta a verdade, enviesa os nossos comentários”, dizendo que está em causa um pedido de esclarecimentos por parte do jornalista, que acabou por publicar a notícia sem a resposta do município. Classificou isso de falha deontológica grave.
"Considero que é uma falha deontológica grave. Todos nós, políticos, somos escrutinados e parece que a comunicação social não pode ser escrutinada", disse Ana Abrunhosa. "Se o jornalista quer fazer política deve entregar a carteira de jornalista", acrescentou.
As palavras de Ana Abrunhosa mereceram críticas de vários quadrantes e de partidos políticos.
Na sequência deste episódio, a Direção de Informação (DI) da Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra "repudiando acusações" da autarca.
A DI considerou que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram "descabidas, infundadas e difamatórias", defendendo o "percurso de jornalismo na Lusa irrepreensível".
Também o Conselho de Redação (CR) e a Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa repudiaram as declarações da autarca.
A administração da Lusa condenou a "acusação injustificável" da autarca e defendeu que a atividade de uma agência de notícias não se coaduna com condicionamentos.
c/ Lusa